RuPaul’s Drag Race, S09 – Que fim levou?

Novo formato da final comprometeu a temporada.

Vocês devem ter percebido que eu, Brendow, comecei aqui no Alexandrices escrevendo sobre Drag Race e prometendo fazer recaps da temporada 9 inteira. Pois eu realmente tinha essa intenção! Assim que a época do meu TCC passasse, eu com certeza faria os resumos, episódio por episódio, com todo o prazer. Acontece que essa temporada me decepcionou e me tirou o tesão de escrever sobre. De toda maneira, vim prestar explicações a vocês e fazer um resumão geral de cada episódio da temporada.

Pra quem não viu ou não se lembra, eu já escrevi sobre o episódio 1, episódio 2 e episódio 3, então vou partir daqui.

No episódio 4 tivemos um desafio de apresentar um programa matinal (assim como tivemos o telejornal na temporada 3). Shea e Sasha ganharam o desafio juntas. Mas o destaque do episódio, ainda que um destaque negativo, foi Charlie Hides absolutamente jogando a oportunidade pela janela e fazendo um lipsync bem porco. Depois ela deu cinco desculpas diferentes dentro e fora do programa, as pessoas caíram matando na madame, mas deixaram de lado quando viram o que veio cinco episódios depois…

No episódio 5 rolou o lipsync grupal (desafio presente nas temporadas 7, 8 e All Stars 2) na forma de um musical sobre a família Kardashian-Jenner. Shea se destacou interpretando Blac Chyna e venceu o desafio. Cucu e Farrah dublaram pelas suas vidas, mas, numa reviravolta cheia de drama, Ru elimina Eureka da competição devido a uma lesão que a participante sofreu no desafio do cheerleading. Provavelmente um dos pontos altos da temporada em questão de choque e drama.

No episódio 6 teve Snatch Game. Alexis, que vinha sendo chamada de basic (porque realmente é), ganha o desafio com uma impressionante imitação de Liza Minelli. Nina arrasa como Jasmine Masters, realmente impagável. Cucu e Peppermint dublam pelas suas vidas. Cucu vai embora. E olha que ela diz ter estudado a personagem dela, Sophia Vergara, por quase dois anos. Imagina se não tivesse uma personagem preparada…

No episódio 7 tem um desafio de remake de série de TV, no qual Aja é eliminada contra Nina.

No episódio 8, há um Roast que nem o da temporada 5, mas com Michelle Visage como vítima. Farrah e Alexis são horríveis e dublam, Farrah vai embora.

No episódio 9, as meninas criam seus pilotos de séries. Shea e Sasha ganham mais uma vez juntas. Valentina e Nina, parceiras de dupla, se saem mal e vão ao lipsync. Valentina entra em pânico e esquece a letra de “Greedy”, de Ariana Grande. Ela tenta dublar usando a máscara que fazia parte do seu look de Club Kid, mas RuPaul manda parar tudo e obriga a menina a mostrar os lábios. De longe, o momento mais dramático e digno de telenovela mexicana de todas as temporadas! A queridíssima fan favorite foi eliminada e a partir daí a competição perdeu parte do seu fuego, carisma e graça. Vamos relembrar esse momento icônico:

Episódio 10 teve o tradicional makeover, com o primeiro lipsync de Shea. Nina vai embora após seu terceiro bottom 2 da temporada.

Episódio 11 é o também tradicional Ball, esse ano com o tema Gayest Ball Ever. Shea vence, Alexis dubla contra Peppermint e acaba eliminada. E já não era sem tempo. A gatinha mais delusional da temporada ficando em quinto lugar na temporada me lembra Derrick Barry e Pandora Boxx, das temporadas 8 e 2, respectivamente.

O episódio de semifinal, que deveria definir um quarto lugar e o TOP 3 do programa, terminou sem eliminadas.

Ru estava inaugurando um novo formato de finale: o TOP 4 competiria pela coroa numa batalha de lipsyncs no programa final. MAS PERAÍ, DONA RUPAUL, QUE HISTÓRIA É ESSA? Batalha de Lipsyncs é outro programa…

Um programa que moderadamente imita Drag Race fazendo homenagem à Mama Ru.

Só perdoo porque é Nene Leakes!

No episódio final, Ru sorteia Trinity através de uma roleta, o que dá direito à queen escolher qual será sua oponente no lipsync for the crown. Trinity escolhe Peppermint, definindo que a outra batalha será Shea versus Sasha. Peppermint vence Trinity e Sasha vence Shea. Por fim, Peppermint e Sasha se enfrentam. Ru escolhe Sasha Velour como vencedora.

Tá, parabéns pra ela, mas deixa eu falar uma coisinha aqui…

Eu entendo que a coroa obviamente estava nas mãos de Shea, estatisticamente falando, e o programa precisava de alguma reviravolta para segurar a audiência, mas eu não achei essa uma decisão boa ou adequada.

Shea Couleé tinha quatro vitórias, feito realizado somente por Sharon Needles na temporada 4 e Alaska no All Stars 2. A vitória era certa.

Já sabemos que, comumente, a queen com mais destaque e maior saldo de vitórias costuma ganhar a coroa, independente do quão querida ela é pelo público. Histórico sempre contou e, de repente, não mais. Vi muita gente que vive desmerecendo a vitória da Tyra tentando defender a vitória de Sasha. Logo Tyra, que teve 3 vitórias individuais e nenhum bottom 2. Gente, cadê a coerência? A Tyra tinha lá seus problemas de comportamento, mas obviamente teve desempenho melhor que todas as competidoras da Season 2. Não foi o caso de Sasha. Essa merecia terceiro lugar no máximo.

Pra mim, isso foi uma tentativa de não colocar uma segunda Bob the Drag Queen consecutiva no posto de rainha da temporada. Tudo o que Sasha precisou fazer foi ganhar dois desafios apoiada por Shea como sua colega de dupla e depois armar um truquezinho pra usar no ápice de cada música das suas batalhas e impressionar uma plateia por um minuto e meio. Peppermint tinha o pior histórico dentre as quatro e ainda assim ficou em segundo lugar por causa dos seus reveals durante a dublagem. Sasha tinha o segundo pior histórico. A final mais certa, de acordo com desempenho ao longo da temporada, era entre Shea e Trinity. Mas não foi.

Aparentemente as únicas coisas que valeram a pena nessa temporada foram as discussões (porque eu não tenho coragem de chamar de barraco, eu tenho vergonha na cara e respeito pelas queens das primeiras temporadas que sabiam barraquear), especialmente as que envolveram Nina e Aja sendo amarguradíssimas.

Em resumo, o quê essa mudança no formato significa? Bom, pra mim, isso abre um precedente pra mais queens se esforçarem mais ou menos durante o programa pra fazerem algo estrondoso apenas na final, rendendo uma temporada morna e capenga, tipo a sétima. RuPaul anda prometendo prêmios mais atrativos para os challenges semanais, mas de quê adianta prometer prêmio e nem pagar depois, Dona Ru?

Eu sei que isso aqui não é Brendow’s Drag Race, é [a produção da] RuPaul que faz as regras e decide a campeã, mas de toda maneira, fica meu descontentamento enquanto espectador e fã do programa.

Ah, vem aí as temporadas 10 e All Stars 3 no primeiro semestre de 2018. Estou na expectativa pela minha baby Trixie Mattel. Alexandre torce pela Shangela. E você?

MAL POSSO ESPERAR PRA VER NO QUE VAI DAR.

Brendow Prado

Goiano, 23 anos, artista de palco e bastidores, subcelebridade nas horas vagas.