Gaga: Five Foot Two

Um ode à Mother Monster.

Eu lembro que no ano em que tive um contato maior com o pop foi em 2009. Foi um ano musicalmente agitado: “Tik Tok” da Ke$ha estava tocando o tempo todo no rádio – sim, nós de fato vivíamos de FM – e o Black Eyed Peas tinham duas músicas no top 10 da Bilboard (que eu não fazia ideia do que era, só sabia que tinha gente que discutia isso nos fóruns do falecido Orkut). E a música que eu mais ouvi naquele ano foi uma moça cantando sobre um cara que não conseguia ler sua cara de pôker. E, aos poucos, eu me tornei fã dessa artista.

“Five Foot Two” é um daqueles documentários que você não entende a razão de existir até assistir. Não é um filme pra ser visto por alguém que odeia a artista – até porquê, vamos ser honestos: sua opinião sobre ela não vai mudar não importa o que seja dito ou mostrado a respeito dela – mas é o melhor modo de entender o que se passa na cabeça da cantora que foi um sucesso estelar e que deu o azar de ter feito um álbum extremamente pretensioso que não agradou muito à critica (Artpop, estou falando de você) e em seguida lançou um álbum de Jazz. Parece uma carreira bem desregular, certo?

Mas essa é a Gaga. E sempre foi. Uma inconstante que cria uma música pop extremamente chiclete, grava um clipe fofo com temática italiana, depois se torna (de modo literal) uma moto na capa do seu próximo CD. E no especial idealizado pela Netflix, acompanhamos o nascimento de seu último álbum, os altos e baixos da vida pessoal da cantora (incluindo as dores que a fizeram cancelar a participação no Rock in Rio desse ano e a rixa com a Rainha do Pop) e todos os ensaios que culminaram em uma das apresentações mais lendárias do SuperBowl.

“Joanne” foi uma tia da Gaga que morreu aos 19 anos de idade e que viria a se tornar a musa da cantora, que batizou seu 6ª álbum de estúdio. Os momentos mais legais do documentário são as visitas ao estúdio, onde ela grava com Mark Ronson (e a deusa Florence Welch) e todas as partes em que podemos ver sua relação com sua família, como o momento fofíssimo onde ela mostra “Joanne” para sua vó.

No fim, “Five Foot Two” é um daqueles filmes que só vai fazer sentido de fato para quem é fã, assim como as biografias de outros cantores pop – como o grupo One Direction e a performer Katy Perry – e que humaniza um pouco alguém que é idolatrada quase como uma entidade pela legião de fãs que a perseguem por todos os lugares em que ela passa.

Alexandre

Tem muito a dizer, na maior parte do tempo.