Perdido/achado – e outras sensações que o Carnaval desencadeia.

Ah, o fim do Carnaval. Dizem que é quando o ano começa, né?

Acho que é por conta da catarse de janeiro, mês longo onde você ainda não tem a plena certeza de que o ano anterior acabou e que o ano vigente já está aí. Os dias de folia e de feriado prolongado são, na realidade, a constatação final de que sim, o ano começou – e todas as metas estabelecidas anteriormente precisam se realizar nos próximos meses.

E é aí que muitas vezes bate aquela sensação de que estamos perdidos novamente. Mas como isso é possível, se a menos de dois meses tínhamos tudo tão bem planejado? Acredito que, como no fim do ano temos a tristeza de dezembro desencadeada pelo natal e ano novo (apelidada pelos americanos de “new year blues”), também temos nosso próprio luto pós-festa. O fim do samba. Nosso “Carnaval Blues”. A volta à rotina. E aquela sensação de ter se encontrado se esvai, dando lugar ao medo de ter se perdido novamente – ou de sequer ter se achado de verdade nesse ano.

Dizem que quando você se encontra, não existe nada no mundo que te faça se perder novamente. Afirmação frágil a ser feita, pois a maioria das pessoas que se encontram estão apoiadas em alguma coisa naquele exato momento: seja um namoro, no trabalho ou amigos, sempre temos um novo propulsor que nos leva a acreditar: uau, dessa vez eu me achei.

O mais delicado, é claro, é que a sensação é sempre atrelada a fatores que fogem completamente do nosso controle. Não é possível manter a certeza por muito tempo, pois sempre existem outras pessoas e a sensação de plenitude é constantemente arrasada por uma teia de dúvidas que basicamente incluem uma porção de “e se”.

A busca por esse momento é intensa, e leva bastante tempo. A verdade é que todo mundo precisa sentir, por algum tempo, que finalmente a busca acabou. Que encontramos o amor da nossa vida. Que estamos no emprego dos nossos sonhos. Que finalmente nos encontramos espiritualmente. Mas a verdade é que constantemente estamos perdidos, e essa é a nossa parte boa. Pensa assim: se tivéssemos batido todas as nossas metas, qual a razão pra continuar vivendo?

Nos resta voltar a rotina, às pequenas dúvidas do dia a dia e a nossa constante, mas feliz busca. E que venha março com seu outono e os próximos meses para procurarmos mais respostas e continuar o desafio que é viver. Como dizem os sábios: excesso de passado é depressão e excesso de futuro é ansiedade. O que podemos fazer é (voltar) a viver a rotina louca e ir se achando dia após dia.

Alexandre

Tem muito a dizer, na maior parte do tempo.