Amor romântico: uma crônica

O amor não anda só

É cômica, quando não chega a ser trágica, a maneira como ansiamos por encontrar amor custe o que custar. Várias pessoas desesperadamente procuram alguém que lhes dê alguma sensação de amor, afeto ou carinho, mas sem entender que isso nunca vem sozinho.

Uma pessoa é feita de um lado bom e um lado ruim, isso é fato, não tente negar. O lado que você performa nas suas ações diz muito sobre você, sua construção, sua vivência e, por conseguinte, a formação do seu caráter. Obviamente isso é levado ao campo afetivo e das relações humanas – românticas ou não – e precisamos estar atentos ao lidar com nossos próprios problemas e projeções antes de jogá-los na vida de outra pessoa.
Amar alguém ou receber amor não serve como justificativa para que alguém possa ultrapassar quaisquer barreiras. Um casal não apenas pode, como DEVE debater e estabelecer limites através do diálogo. Algumas coisas a gente já sabe que não pode fazer né? Não vá agredir seu parceiro pra depois dizer que ele nunca disse que não podia. Não venha bancar o louco, colega.

Voltando ao ponto inicial deste texto, no qual digo que o amor nunca vem sozinho: pessoas são complexas e eu espero que você saiba e aceite isso. Não dá pra colocar todo mundo na mesma caixinha e dizer que somos iguais enquanto seres humanos, isso é falácia. Algumas pessoas vêm com problemas maiores, menores, mais ou menos complicados que os seus. Não que seja uma competição, pois não é; a maneira que cada um lida com seus problemas é única e pessoal e não nos cabe julgar. Mas, ao nos relacionarmos com alguém, muita coisa se confunde e se mistura, afinal, são pessoas que agora querem cuidar e se preocupar com a vida da pessoa amada, além da sua própria. Saiba seus limites!
Os problemas da vida do seu parceiro não necessariamente são seus. As inseguranças e projeções que ele faz sobre a sua pessoa não são culpa sua, são de responsabilidade dele. Tentar manter as coisas mais próximas da realidade e evitar se deslumbrar com o namoro são ações muito úteis e seguras.

Mas Brendow, amor não é pra racionalizar dessa maneira, parece frio e triste!” Não, eu não estou racionalizando o sentimento, estou racionalizando a maneira que se leva uma relação amorosa. Foi assim que eu encontrei a paz dentro de um namoro pela primeira vez. Porque se você parar para prestar atenção, as pessoas não te presentearão apenas com amor, carinho e afeto. Muitas te trarão inseguranças, medos, mentiras, ciúmes, negatividade e falsas esperanças. É um mundo difícil lá fora, criança. E você pode ser uma das pessoas dando “presentes ruins” para o seu parceiro. Ser uma pessoa abusiva é algo que a gente faz sem perceber às vezes. Não é má-fé; é culpa de uma cultura que naturaliza e romantiza os relacionamentos abusivos. Já viu algum post na internet onde uma pessoa humilha ou ameaça o parceiro por causa de ciúmes, mas usando o amor ou o cuidado como justificativa? Algo do tipo “se tem ciúme é porque tem sentimento”? Ou “não existe amor sem brigas”? Pois então, É BALELA PURA.

Precisamos reconhecer o momento de parar com os abusos ou de abandonar a pessoa tóxica, por mais que nos doa e nos afete. Relacionamento não funciona à base do custe o que custar e ninguém está te fazendo um favor ao te amar e te tratar bem. Se é para ser algo forçado, que não é natural e que causa atrito, vai insistir pra quê? Se for para passar raiva e aceitar abusos, eu prefiro não namorar. Eu demorei a perceber isso tudo, mas é melhor reconhecer tarde do que nunca, não é mesmo? Eu parei de aceitar migalhas e entendi meu valor. Espero que você pare também. Você merece mais.

Brendow Prado

Goiano, 23 anos, artista de palco e bastidores, subcelebridade nas horas vagas.