Admirável mundo (chato e) novo.

Bem vindos à internet: A terra onde as minorias têm voz.

Não é incomum ver seja na timeline do Facebook ou nos comentários em fotos do Instagram que “o mundo ficou chato”. Tudo é racismo, tudo é homofobia e tudo é machismo. Nas duas últimas semanas podemos ver o quão chato o mundo se tornou utilizando 3 notícias que viralizaram nas redes sociais. Vamos ver juntos?

Formation e o orgulho racial de Beyoncé.
Beyoncé surpreendeu a todos com o lançamento de uma música, acompanhada de um clipe babadeiro e fechou com chave de ouro se apresentando no Super Bowl, um dos maiores eventos esportivos do mundo. A nova música, “Formation”, mostra uma Beyoncé politizada e totalmente voltada para as suas raízes, focando principalmente no empoderamento negro e a constante violência que a comunidade sofre vinda de policiais. Corajosa, a cantora envolve também suas próprias histórias – quando, por exemplo, exalta seu nariz com “narinas de Jackson’s Five” e diz que ama o cabelo afro do seu bebê (mesmo depois das constantes acusações infundadas de que a estrela estava tentando embranquecer). Obviamente, a diva está sofrendo as consequências de sua denúncia: o movimento #BoycottBeyoncé vem crescendo dentre a população conservadora – que se sentiu oprimida e ofendida (?). Alias, a reação da população branca até virou comédia no Saturday Night Live, com seu trailer de “O Dia que Beyoncé Virou Negra”]

o vídeo contava até com cartaz do filme

Barbies que são mais do que bonecas.
Aos poucos, a Mattel vêm fazendo avanços nos seus brinquedos. A primeira atitude da empresa foi adicionar um menino em seus comerciais – por que brinquedo não tem sexo é totalmente normal meninos brincarem de boneca e meninas brincarem de carrinho (e é meio foda ter que existir um comercial pra mostrar isso). Agora, a Barbie finalmente representa todos os tipos de menina. Eles adicionaram novos tamanhos para as bonecas, e novas tonalidades de cabelo e de pele.

agora todo mundo vai poder dizer que é linda igual uma barbiezinha – e se ver representada <3

(Ah, e se você é do time que acredita que um brinquedo não influencia a percepção de uma criança a respeito de quem ela é, pense de novo. Um vídeo muito popular na internet mostra como por exemplo como o racismo é algo enraizado na criança desde cedo a partir dos brinquedos que ela possui. Você pode ver esse vídeo aqui)

Adidas, a campanha de dia dos namorados e suas respostas aos homofóbicos
Uma foto no Instagram e uma legenda da canção The End, dos Beatles, deram o tom a homenagem da Adidas aos apaixonados no último dia 14: o amor que você recebe é o mesmo amor que você oferece. A foto do casal do mesmo sexo usando o mesmo tênis já conta com mais de 192k likes e 97k de comentários, muitos deles de homofóbicos.
A reação da empresa? Continuar se posicionando a favor do amor. A um usuário que afirmou que iria comprar produtos do concorrente, uma resposta singela: dois emojis, um dando tchauzinho e um beijo. Já a outro, que afirma que a data era para comemorar entre casais heterossexuais, a resposta foi: esse é um dia para o amor.

adidas celebrando o amor

Além da campanha, a marca também se posicionou sobre os atletas LGBT e adicionou uma nova cláusula em que afirma que não romperá contrato com atletas que assumirem sua orientação sexual (e você deve estar pensando “nossa, mas qual a novidade?” – acredite, em alguns países é permitido o rompimento de contratos devido a orientação sexual. A Adidas se colocar a favor dos atletas que optam por viver fora do armário não a torna só uma marca a favor desse público – e sim a primeira a ter se posicionado a respeito do assunto)

Por mais que cada um dos grupos oprimidos esteja focado em seus próprios problemas, gosto de ver que estamos avançando, cada um a seu modo. Ainda há muito a ser feito, e é péssimo ver que muitas vezes dentro dos grupos de luta exista uma divisão injusta dos assuntos (e aqui falo como gay branco e cis que acompanha que, nos meios de discussão, a luta gay negra, trans ou lésbica é completamente ignorada [sem falar nas outras identificações como os pans e os bissexuais], por que se tem uma coisa que gay branco sabe ser é extremamente egoísta com seus próprios assuntos, pra não dizer misógino e racista) mas é lindo ver que, aos poucos (e de uma visão completamente otimista) estamos fazendo desse mundo um lugar melhor pra quem nunca teve nenhum tipo de privilégio.

Sempre que a frase “o mundo está ficando chato” é proferida, eu prefiro fingir que não ouvi a acreditar que as pessoas realmente preferiam o mundo do jeito que estava. Claro, a maior parte do tempo essa frase é dita por pessoas que não foram atingidas pelo impacto da mudança, pois elas não precisavam de mudanças. Ou seja, cada vez que você diz “o mundo está chato“, quem faz parte de um grupo oprimido está ouvindo “quem resolveu te dar voz?

E se esse mundo que estamos construindo é chato, eu espero é que fique insuportável logo.

beijos de luz